5% em 2010

PIB brasileiro cresce 7,5% em 2010. E agora? E o futuro?

O Brasil alcançou de acordo com as palavras proferidas pelo ministro Guido Mantega, o posto de sétima economia do mundo. “Se considerarmos o PIB a preços de paridade e poder de compra, em conta ainda não oficial, a ser feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ou pelo Banco Mundial, atingimos um PIB de R$ 3,6 trilhões, o que nos coloca em sétimo lugar, superando a França e o Reino Unido”, disse o ministro. Dois anos atrás, o país ocupava o nono posto, atrás de Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha, Rússia, Reino Unido e França. Ao que tudo indica, o ano de 2010 entrou para história como um dos anos em que o país mais cresceu – o PIB (Produto Interno Bruto) variou 7,5%, segundo o IBGE –, mesmo tendo como base um ano de 2009 pós-crise, quando a economia estagnou. Se é importante divulgar o “Pibão” de 7,5% de 2010, o que dizer deste ano e dos próximos? Muitas dúvidas surgem e as primeiras dizem respeito à condução da política econômica: após longos (e interessantes) oito anos de Henrique Meirelles frente ao Banco Central (BC), o que esperar? Tal como Meirelles em 2003, Alexandre Tombini, atual presidente do BC, iniciou seu legado promovendo alta na Taxa Selic. Neste mês, a taxa chegou ao patamar de 11,75% ao ano, com ajuste de 0,5% em relação ao último encontro do Copom (Comitê de Política Monetária). No mercado há a expectativa de que os ajustes continuarão até que a Selic chegue a 12,50%, no meio do ano. Outro ponto a destacar é o corte de R$ 50 bilhões no orçamento. O governo detalhou, na semana passada, um plano para reduzir os gastos públicos, colocando em xeque inclusive alguns compromissos de campanha assumidos pela Presidente Dilma, especialmente o tão alardeado projeto “Minha Casa Minha Vida”. "Cortar previsões de gastos, porém, não é a mesma coisa do que cortar gastos. Um item que pode servir como exemplo típico da regra geral adotada na definição dos cortes é a contenção das despesas previstas com novas contratações de pessoal pelo governo. Havia, no orçamento, uma previsão de R$ 5 bilhões para novas contratações este ano. Dessa previsão, foram cortados R$ 3,5 bilhões. Significa que concursos públicos previstos não serão realizados, mas não que o contingente de servidores e a folha salarial atual serão enxugados" - José Paulo Kupfer, artigo "Cortes (quase só) de vento" (Estadão). De concreto, o aumento na taxa de juros e o aperto no orçamento não respondem à necessidade de aumento de investimento que o país necessita para crescer. Para se ter uma ideia, em 2010 chegou-se a 18,4% do PIB concentrados em investimentos, muito aquém do necessário para o crescimento sustentável da economia. A partir dos dados apurados de inflação, tudo indica que o crescimento de 7,5% do PIB foi um “salto maior do que a perna”. Espero estar errado. Diante da inflação, o Copom decide aumentar os juros. Simples assim. A impressão que temos é que a economia é muito previsível; e de fato é: aquecimento desproporcional à capacidade de produção/consumo leva à inflação. A inflação leva ao aumento dos juros, que mais elevados encarecem o crédito e fazem diminuir a tomada de dinheiro emprestado e, por consequência, o consumo. E assim por diante. Um desabafo. Cansei de ver as possibilidades de desenvolvimento do país serem deterioradas por falta de estrutura. O Brasil precisa seguir em frente e alavancar seu crescimento, mexendo onde de fato é necessário. Carga tributária desumana, péssima infraestrutura, máquina pública inchada e ineficiente e gestão fraterna dos governos (sem compromisso real de promover reformas urgentes, como da previdência) são alguns dos desafios. Velhos desafios. Conhecidos desafios. Tudo bem, é verdade que a inflação desse ano tem alguns componentes pontuais, como o aumento no preço das commodities e até mesmo os conflitos no Mundo Árabe, que trouxeram medo e intranqüilidade em relação ao petróleo (a cotação se eleva de maneira insistente). O FMI já se pronunciou com preocupações deste tipo. Concordo e esses detalhes reforçam a tese de que, por enquanto, é mais saudável para a economia pisar no freio. Vamos acompanhar de perto o ano de 2011 e o futuro, que chega rápido. Esperamos que o país perceba, de uma vez por todas, que é hora de mudar, privilegiar a necessidade de modernização da infraestrutura e promoção de reformas para que tenhamos mais oferta de produtos, serviços e a possibilidade de desenvolvimento de mão de obra especializada. Só assim sairemos da “corrida dos ratos” de nossa própria economia. Até a próxima.